segunda-feira, 6 de abril de 2015

HISTÓRIA E SENTIDO DA PÁSCOA CRISTÃ







































As primeiras notícias acerca da celebração anual da Páscoa cristã chegaram até nós graças a uma polêmica, envolvendo a data (ou as datas) em que a mesma era celebrada.

Segundo um costume, que parece remontar a João Evangelista, a Igreja da Ásia Menor celebrava a Páscoa no 14 de Nisã, dia da morte de Cristo, conforme o calendário judaico (Levítico 23, 5-15). É o que se chamou de “controvérsia quartodecimana”. Contudo, de acordo com uma tradição apostólica, provavelmente vinculada a Pedro, a maior parte das igrejas, entre as quais as de Alexandria, Jerusalém e Roma, celebrava a Páscoa no domingo, depois do 14 de Nisã.

Em meio a tudo isso, teve lugar a chamada “questão pascal”. O dilema era se a Páscoa devia ser celebrada no dia da morte, ou no dia da ressurreição do Cristo. A diversidade de datas da celebração pascal gerou vários atritos dentro dos quadros eclesiásticos, a ponto de o papa Vítor (189-199) anunciar a ruptura da Igreja romana com as comunidades que celebravam a Páscoa no 14 de Nisã. Tal ruptura foi evitada, graças à intervenção de alguns bispos, entre eles Irineu de Lion, que afirmavam que a diversidade de datas não afetava o substancial da fé cristã.

O problema começou a ser resolvido de forma definitiva no ano 325, quando o Concílio de Niceia estabeleceu a unidade em torno da festa da Páscoa. Porém, só no século XVI – com o advento do calendário gregoriano – as dificuldades de se precisar a data da celebração foram superadas. A data foi fixada no primeiro domingo após a primeira lua cheia de primavera, no hemisfério norte, ou no primeiro domingo depois da primeira lua cheia de outono, no hemisfério sul, o que faz da Páscoa uma das festas móveis da Igreja, ou seja, sem data fixa.

Nos textos antigos, a Páscoa – Pessach (em hebraico), passagem da morte para a vida, da escravidão para a liberdade, das trevas para a luz – aparece como síntese de toda História da Salvação, desde a Criação até a Parusia. O centro dessa História é, efetivamente, o Cristo Salvador. Ele é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim – “Princípio inenarrável e Fim incompreensível”.

É a Páscoa de Cristo que dá sentido ao cristianismo. Ela é o ponto de partida e de chegada da fé cristã e o centro de toda a atividade da Igreja. Como referência absoluta da ação salvífica de Deus em favor dos homens e mulheres, a Páscoa é a motivação maior para a esperança na ressurreição dos mortos.

José Gonçalves do Nascimento 

Academia De Letras E Artes De Senhor Do Bonfim - Aclasb

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