quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Do fruto ao produto, a nova era do cacau baiano




Encontro promove diálogo e integração dos participantes da cadeia produtiva
            Agregar e proporcionar o diálogo entre todos os agentes da cadeia produtiva do cacau foi o principal objetivo do encontro Bahia Cacau 2035, que aconteceu nesta terça-feira (21/11), no Hotel De Ville, em Salvador. O cultivo do fruto, que durante muito tempo teve sua imagem ligada ao coronelismo, é reinventado e atravessa um novo ciclo histórico de sustentabilidade, inclusão social e turismo. Estiveram presentes oito secretários de estado, Jaques Wagner (SDE), Jerônimo Rodrigues (SDR), Vitor Bonfim (SEAGRI), Vivaldo Mendonça (SECTI), Geraldo Reis (SEMA), José Alves (SETUR), Josias Gomes (SERIN) e o vice-governador João Leão (SEPLAN), representando o governador Rui Costa.
            De acordo com Wagner , o papel do governo através das suas secretarias é dar apoio e sustentação àqueles que querem desenvolver uma cultura com tanta tradição na Bahia e que já foi a maior renda do estado. “O governador Rui Costa mantém a política de estimular a verticalização da cadeia. Somos o maior produtor de cacau do país e o Brasil é o único no mundo que consegue ir do fruto até o produto. Nosso objetivo é utilizar novas metodologias de plantio que melhorem a qualidade do cacau, verticalizando a produção para que o produtor possa ficar cada vez mais com o fruto do seu trabalho, no caso, o chocolate, que agrega muito mais valor que a amêndoa”, afirma.
            O secretário Jerônimo lembrou que a Bahia já ocupa um espaço importante na cultura do cacau mas que ela precisa ir além da produção e exportação de amêndoas. “Nós queremos continuar vendendo amêndoa de qualidade, mas queremos entrar no mercado de chocolate também. Temos condições de clima, de solo, de mão de obra, de força de trabalho e de inteligência que se esforça para garantir uma muda de qualidade, resistente a doenças e pragas, além de um ambiente favorável para o turismo, o que faltava era conseguir um espaço em que todas essas forças, governo, indústrias, empresários, trabalhadores, movimentos sociais pudessem discutir o que temos de comum na cadeia do cacau. Por isso, esse encontro de hoje é tão importante”, diz.
            Segundo Osanar Nascimento, agricultor e membro da Coopfesba (Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências) de Ibicaraí, a expectativa da cooperativa, que é responsável pela gestão da Bahia Cacau, 1ª fábrica de Chocolate da Agricultura Familiar da Bahia, é fortalecer a cadeia produtiva do cacau com um novo modelo de empreendedorismo na região cacaueira. “Aprendemos a conviver com a praga mas queremos também aprender um novo modelo de trabalho com a lavoura cacaueira. Queremos a transformação não só da amêndoa, mas também dos nibs e do chocolate, agregar valor, aumentar expectativa de lucro do produtor, aquele que realmente faz todo processamento para adquirir uma amêndoa de qualidade “, afirma.

Lançamento da APL
            Durante o evento, foi assinado protocolo de intenção para criação do Sistema de Arranjo Produtivo Local (APL) do Cacau e Chocolate pelo secretário Jaques Wagner (SDE), Adélia Pinheiro, reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Guilherme Moura, da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB), Eduardo Bastos, da Associação Nacional das Indústrias Processadoras do Cacau (AIPC) e Milton Andrade Junior, do Sindicato Rural de Ilhéus (SRI). Já o secretário Geraldo Reis (Sema) anunciou oficialmente portaria conjunta Sema/Inema 03, que foi publicada hoje no Diário Oficial do Estado, para beneficiar produtores do cacau cabruca. A portaria beneficia o produtor rural que poderá fazer um manejo adequado desse sistema, tendo em vista o aumento da produtividade de cacau na região sul da Bahia.
            “Nenhum outro produto tem tanto significado para a Bahia quanto o cacau. Pensar na cadeia produtiva para os próximos anos é uma responsabilidade não só do governo, mas de todo o estado. Sou um otimista e gosto de olhar para o futuro. A cadeia está unida e o fórum chega em um momento oportuno quando o campo está fértil para ser semeado”, afirma o empresário, proprietário da marca de chocolate Costanegro, e atual presidente da Câmara Setorial Nacional do Cacau, Guilherme Moura.
            Maria Cristina Vitória, secretária das Mulheres, da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado da Bahia (FETAG-BA), afirmou que apesar do momento vivido ser de desafio, é também de construção. “Temos como avançar cada vez mais e vivemos um momento de unidade. Precisamos de um trabalho voltado para nossos agricultores e acredito que isso vai acontecer através da políticas públicas que estão sendo desenvolvidas”.

Ineditismo
            A cultura do cacau e o destaque na produção de chocolates gourmet, com alto valor agregado, produzido no Brasil (somente a Bahia tem mais de 30 marcas), fez o país ser escolhido para sediar a reunião anual da World Cocoa Foundation- WCF (Fundação Mundial do Cacau), em 2018. O evento definirá ações voltadas às parcerias público-privadas do setor cacaueiro internacional visando a sustentabilidade da cacauicultura em todo o mundo. O encontro, “Partnership Meeting” (Reunião de Parceiros), será realizado em São Paulo, de 23 a 24 de outubro do próximo ano,  com a participação dos países produtores e consumidores de cacau, o que renderá ao país convênio com benefício voltado à cadeia produtiva brasileira.


Fotos: João Ramos


Mutirão alcança 13 mil cirurgias e Rui estabelece nova meta à Sesab



O Mutirão de cirurgias do Governo do Estado alcançou o número de 13 mil cirurgias realizadas nesta semana. A informação foi confirmada pelo governador Rui Costa durante o programa #PapoCorreria realizado nesta terça-feira (21). “Com a nossa política de regionalização da saúde, estamos levando mais conforto e um atendimento de qualidade à população do interior baiano”, afirma o governador.

 A meta de realizar 13 mil cirurgias eletivas em toda a Bahia por meio do Mutirão de Cirurgias, serviço gratuito vinculado ao programa estadual Saúde sem Fronteiras, foi alcançada na terça-feira (21), na cidade de Guanambi. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), foram feitas 13.017 intervenções até esta data. Os dados contabilizados desde que o programa foi lançado, em setembro de 2016, apontam um total de 17.089 atendimentos de saúde em 405 municípios baianos.

Durante o programa, o governador Rui Costa estabeleceu a meta de realizar 15 mil cirurgias até o final do ano. De acordo com o governador, esse número será alcançado rapidamente. “Nós vamos ter aí dois grandes mutirões, um na Chapada Diamantina, com procedimentos pré-operatórios já na semana que vem e na semana do dia 15 de dezembro, com a inauguração do Hospital da Costa do Cacau, em Ilhéus, vamos fazer o mutirão de cirurgias durante toda a semana”, afirmou.


Cronograma de atendimento

O Mutirão de Cirurgia em Seabra será iniciado a partir da próxima terça-feira (28), com consultas e exames pré-operatórios. As cirurgias serão realizadas a partir do dia 3 de dezembro. Já em Ilhéus, o Mutirão se estende do dia 12 de dezembro, quando serão iniciadas as consultas e exames pré-operatórios até o dia 17, data das cirurgias. Esta semana, o programa atende o município de Iguaí e região.

 O Mutirão de Cirurgias, que atende pessoas encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a realização de procedimento cirúrgico, tem o objetivo de auxiliar os municípios na redução da fila de espera de cirurgias eletivas, atendendo os pacientes com agilidade e cuidado. As cirurgias eletivas são aquelas com possibilidade de agendamento prévio, sem caráter de urgência ou emergência.

Ao longo do período de atendimento à população de uma região, o governo disponibiliza a equipe médica e toda a estrutura para os procedimentos, além do acompanhamento do paciente após a cirurgia. Os atendimentos médicos são realizados nos hospitais estaduais e nas unidades complementares de cada região do Estado. Isso possibilita ao paciente maior comodidade e evita grandes deslocamentos. As prefeituras são responsáveis por garantir o acesso dos pacientes às cidades onde serão realizados os procedimentos. São realizados cirurgias de hérnias (umbilical, inguinal, epigástrica), histerectomia e colecistectomia.




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

BONFIM:>Instituto Caminhada inicia a gestão do HDAM em Senhor do Bonfim.



O prefeito de Senhor do Bonfim, Carlos Brasileiro assinou, na quinta-feira (17), o contrato que concede ao Instituto Caminhada a administração do Hospital Municipal Dom Antônio Monteiro (HDAM),
“Após vencer a licitação que aconteceu de forma transparente e cumprindo a lei, buscamos informações sobre o trabalho do Instituto em todo estado da Bahia, as informações nos deu convicção que a experiência dessa empresa vai nos dá em breve tempo uma Casa de Saúde mais digna para atender nossa população’, enfatizou o prefeito Carlos Brasileiro.
O Instituto Caminhada será a responsável pela gestão, operacionalização, modernização e execução das ações de saúde em regime de 24 (vinte e quatro) horas/dia, sete dias por semana, que assegure assistência universal e gratuita à população no HDAM.
“O que muda é um olhar privado sobre a coisa pública. Vamos otimizar os recursos de pessoal e financeiro existente, seguindo as diretrizes da lei do SUS, para poder proporcionar um melhor atendimento para população de Bonfim e da região", esclareceu Helton Casais, executivo do Instituto Caminhada.
A solenidade de assinatura aconteceu na área externa do HDAM, e ainda contou com a participação de diversos diretores do Instituto Caminhada, do vice-prefeito, secretários de governo, vereadores, funcionários do hospital e inúmeros servidores da área de saúde.
Ainda segundo a nova gestão, dentro de 90 dias já será perceptível diversas melhorais na Casa de Saúde.“Vamos está aberto e a disposição do Instituto para que juntos possamos fazer um bom trabalho”, salientou a secretária de Saúde, Ageli Matos.
O Instituto Caminhada é uma organização Não Governamental (ONG), sediada no município de Feira de Santana, de natureza filantrópica, sem fins lucrativos, e existe há 11 anos. A entidade tem experiência junto ao Hospital Português, Clínica de Hemodiálise de Jacobina, Hospital de Eunápolis, e diversas clínicas especializadas.

BONFIM:>Agricultores Familiares de Senhor do Bonfim já podem aderir ao Garantia-Safra 2017/2018



As inscrições para o programa Garantia-Safra ano agrícola 2017/2018 estão abertas no município de Senhor do Bonfim. A ação, coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Sedaf), garante um auxílio de R$850 aos agricultores familiares que perdem mais de 50% da produção devido à seca. O pagamento é feito em cinco parcelas iguais.
Para participar, os interessados devem ir na Sedaf, que fica localizada na Praça Juracy Magalhães(ao lado da prefeitura),no Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares(defronte ao 6º Batalhão da Policia Militar), na Rua Visconde do Rio Branco , ou no Serviço Territorial da Agricultura Familiar – Setaf (ao lado do Corpo de Bombeiros), no bairro do Derba.
Os documentos necessários para o cadastramento são os seguintes; Carteira de Identidade (RG), Cadastro de Pessoa Física (CPF), Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP “B”) e o documento da terra.
O prazo de adesão vai até o mês de dezembro. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira. Para mais informações, ligue para o telefone - 99902-6503.

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BONFIM:> UM OLHAR POLICIAL SOBRE OS SALTEADORES DA DIGNIDADE FEMININA, SOBRETUDO OS DE JAGUARARI E SENHOR DO BONFIM

Foto ilustrativa


por Elieton Cordeiro da Paixão/Oficial da PMBA e Licenciado em História pela UPE

Por que os homens se julgam no direito de agredir as mulheres? Em que lei está assegurada a prerrogativa de tal agressão? Por que alguns homens dessa região, sobretudo das cidades de Senhor do Bonfim e Jaguarari, entendem que podem agredir mulheres como se elas fossem escravas? As respostas para essas perguntas são chocantes quando se dialoga com os agressores.

Alguns entendem simplesmente que possuem direito natural sobre suas companheiras; outros entendem que podem abusar daquelas que estão sob sua dependência financeira, como demonstrou recentemente um senhor acusado de estuprar a própria neta aqui em nossa região. Ele entendia que o fato de sustentar e manter economicamente sua descendência lhe conferia o direito do “abuso”. Infelizmente temos concepções dessa natureza nesses rincões do Brasil.

Ainda estamos presos a um passado colonial, com baixíssima concepção de dignidade humana. Os exemplos de violência à mulher nessa região nos convidam a uma reflexão para entender os porquês dessa barbárie em pleno séc. XXI. Há algo errado na formação dos homens no Piemonte Norte do Itapicuru. Por aqui muitos entendem como algo normal agredir uma mulher.

A paisagem cultural tenebrosa que se contempla sob o olhar de um policial aponta que muitos homens dessa região têm convicção de que suas companheiras, filhas ou simplesmente o fato de serem mulheres, já é motivo para sujeição aos homens. Toda região do Piemonte Norte do Itapicuru está infestada de “machões” que enxergam as mulheres como propriedade material.

É como se eles vivessem na Roma medieval, onde existiam leis que davam aos homens o direito de castigar suas esposas até a morte. Aliás, a morte tem sido o destino de varias mulheres por aqui. Em Jaguarari se mata uma mulher a pauladas pelo fim de um relacionamento; em Pindobaçu, pelo mesmo motivo, se mata uma mulher a tiros. Já em Bonfim se mata por asfixia e por golpes de faca. Tais crimes são vistos sob o eufemismo de “passionais”, ou “violenta emoção”, segundo a doutrina penal.

Entretanto o policial, cujo labor diário o arrasta para centenas de ocorrências envolvendo violência contra a mulher, sabe que a situação está para além da paixão. O que de fato temos é um problema cultural agigantado, que se compara aos rituais macabros de “mutilação genitais femininas”, ocorridos em algumas regiões da África. Também por aqui, as sessões de socos, tapas, pontapés, xingamentos, espancamentos, torturas, humilhações e feminicídios são tão frequentes que não estão mais causando estranheza, e por isso vai se firmando no imaginário das futuras gerações como algo normal. É a banalização dos fatos assombrosos que os tornam fatos culturalmente aceitáveis. E nessas terras do Piemonte Norte do Itapicuru, o alto índice de agressões tem tornado esta prática como algo trivial.

Os números registrados pelo 6º BPM envolvendo violência doméstica são uma vergonha para nossa região. É a concretização do assalto à dignidade feminina sendo perpetrada por brutos. Até o mês de outubro de 2017, foram 215 ocorrências registradas por policiais militares. Senhor do Bonfim lidera em números absolutos, seguido por Jaguarari, Cansanção e Queimadas. Todavia, em números proporcionais, Jaguarari assume a vergonhosa liderança. Do total de ocorrências, 76 resultaram em condução à DEPOL.

Junho foi o mês em que mais se registrou ocorrência envolvendo violência contra mulher, plenamente justificável pelas festas ocorridas na região. Enquanto policial, devo advertir que estes números registrados pelo 6º BPM, na prática, são bem maiores, pois existem muitos casos que não são denunciados, ou aqueles que são denunciados, no entanto, a vítima se recusa prestar queixa-crime, e em muitos casos se negam a falar com o PM, temendo as represálias futura dos companheiros.

Existe uma multidão de casos que ocorrem no ambiente doméstico e que não chegam ao conhecimento da corporação. É a chamada “cifra negra”, um conceito da criminologia referente àqueles crimes que não chegam ao conhecimento das autoridades, permanecendo ocultos. Os números registrados pela PM são uma vileza, mas eles representam somente a ponta do iceberg. A realidade é muito mais infernal. E os agentes de segurança que estão no teatro de operações sabem disso.

No CICOM (Centro Integrado Comunicação de Senhor do Bonfim, 190), a violência contra mulher figura como a segunda maior causa de solicitação de policiamento, perdendo apenas para perturbação do sossego. Isso sem levar em consideração o Disk Denúncia 180, específico para denúncias de violência contra a mulher. O reflexo desses números levou o comando da unidade a implementar a Ronda Maria da Penha, que trabalha em conjunto com outros órgãos, para inviabilizar a perpetuação das agressões sofridas por mulheres com medidas protetivas. Uma iniciativa louvável que tem ajudado bastante a dignidade feminina, com a efetiva participação da Polícia Militar nesta causa.

Sobre as medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, há quem entenda que elas são puro eufemismo e abrandamento da lei. São como se elas estabelecessem níveis de agressões às mulheres e uma alternativa à prisão dos agressores. Talvez seja reflexo da aberração dos nossos dias, em se criar várias medidas cautelares opcionais à prisão, pois os presídios e cadeias públicas não comportam mais ninguém.

O Brasil travou! Prender um agressor, ou qualquer outro criminoso, se tornou burocrático ao extremo. Esses são tempos em que se inocenta por excesso de provas. As medidas cautelares são uma opção à falência carcerária, conjugada com a política criminal, que vem transformando ainda mais o país no paraíso da impunidade. Uma desonestidade muito grande com as vítimas. São muitos recursos e beneplácitos ao dispor dos criminosos, e aqui entram, também, os salteadores da dignidade feminina, que por essas terras não cessam de se multiplicar. São como os passageiros de Caronte (Divina Comédia, Dante) o barqueiro do inferno. Eles aparecem a todo instante formando aquela paisagem sombria no primeiro círculo do inferno. E o que pensa o policial militar diante dessa problemática?

Quando os furúnculos estouram na superfície do tecido social, são os policiais que sentem de imediato os efeitos. As vicissitudes sociais, quando irrompem na “pele social”, são logo sentidas pelas forças de segurança, principalmente pela PM. A polícia trabalha muito na consequência dos fatos, causados muitas vezes pelo vácuo das demais instituições, incluindo aí a família. Ela trabalha em todos os flancos dos comportamentos desviantes e importunadores da ordem e da paz social.

Estamos na base da pirâmide social e a ela nos misturamos, somos filhos dessa amálgama social disforme, saindo dos mesmos cantos e extrato da sociedade, como o inspetor Javret em os Miseráveis (Victor Hugo). Estamos no mesmo patamar sombrio daquilo que combatemos. Eis aí a razão imensurável pela qual o PM torna-se especialista nessas oscilações comportamentais da sociedade. Somos as mãos que arestam as imperfeições do objeto. É por estar tão arraigado a esses acontecimentos danosos que temos maior sensibilidade e entendimento sobre causas e consequências das agressões à mulher. Somos os primeiros a chegar ao local dos fatos, e é a partir dos nossos relatos que o trabalho das demais instituições acontecem. Mas qual a gênese desses agressores, sob a ótica do policial?

Os homens não nascem violentos. Eles aprendem e replicam a violência, principalmente a violência contra mulher. É a cultura da violência vivenciada pela sociedade que mais tem formado agressores de mulheres. Aqui na região são tantos casos de violência doméstica que acabam afetando as crianças em seus lares. São filhos que presenciam seus pais chegarem bêbados em casa, agredindo suas mães das mais variadas formas de violência (verbal, patrimonial, sexual, psicológica e física).

Os maus-tratos e desprezo para com as mulheres são tantos, que os jovens vão se tornando adultos e encarando esse quadro como algo normal, e quase sempre repetem o comportamento dos agressores, pois nesse universo não existe a censura moral para estes atos de violência. Pelo contrário, às vezes é até glamourizado. Isso quando somado à baixa escolaridade potencializa ainda mais, devido a ausência de conhecimento em matéria de cidadania e dignidade da pessoa humana; coisas que se aprende, primeiramente no seio familiar, depois na escola e nas demais instituições de controle social. O desajuste familiar, a concepção da mulher como subserviente, o uso de bebida alcoólica (na maioria das ocorrências atendidas pela PM, o agressor quase sempre se encontra ébrio), a falta de denúncia, a impunidade, o desprezo pela escola nutrido pelos jovens etc. São fatores que formam os salteadores da dignidade feminina por essas terras.

São estes aspectos que estão transformando as mulheres dessa região em “saco de pancadas”. Importante ressaltar que a visão policial não enxerga culpa nas vítimas. Nós compreendemos os vários motivos que levam essas criaturas a sofrerem caladas. Também não comungamos com qualquer visão de que o agressor seja doente, no sentido de inocentá-lo (vítimas da sociedade).

Sanar essa vergonha é uma tarefa difícil. Aqui no Alto Sertão, em alguns pontos, vivemos ainda como homem medieval. Uma vasta ignorância funcional paira sobre as pessoas, há um desprezo pelas letras nesse canto geográfico da Bahia, que precisa ser estudado. A família  desajustada, a ignorância, a baixa escolaridade, os laços fracos de solidariedade, e acima de tudo a impunidade das agressões, tem formado essa vergonha em nossa região.

Entendo que a punição tem caráter pedagógico muito forte para a correição, o contrário também tem muita força, mas para ajudar a perpetuar as agressões. Bater em mulher e não ser responsabilizado penalmente, ou mesmo moralmente, com a censura social do meio, é continuar fabricando monstros para aterrorizar as mulheres. Alguns até conhecem, ou já ouviram falar na Lei Maria da Penha, mas isso não intimida. Aliás, as leis no Brasil não mais intimidam, o Direito Penal perdeu seu simbolismo há muito tempo.

Para alguns agressores, as leis não passam de letras em papéis sem nenhuma efetividade. Estão em outra esfera pragmática. Para muitos deles as instituições públicas são incompreensíveis, afastados das letras. Vivem como o personagem Fabiano, em Vidas Secas (Graciliano Ramos). Precisamos reestruturar a família e mandar essa gente pra escola. Despertar o lado satisfatório da educação e da civilidade. Mostrar que o respeito à mulher começa em casa. Evidenciar  que práticas ocorridas no Brasil e no mundo, de violência contra a mulher não são mais aceitáveis. Casos de ataques com ácido, estupro coletivo, mutilação genital, agressões, pagamento de dotes, assédio sexual, crime de honra, feminicídio, casamento forçado, escravidão sexual, apedrejamento, tráfico de mulheres, prostituição forçada e muitas outras formas de violência são atitudes indecorosas que mancham a imagem do homem sobre a terra.

Por fim concluo relatando sobre o labor policial. Atesto, após alguns anos trabalhando na área operacional, diretamente com fatos e atos repugnantes, onde conhecemos a natureza vil do homem, que policiais militares são fontes fidedignas de pesquisa. Na sociedade nós conhecemos do ingênuo ao assassino; do ladrão ao homem de boa vontade; da delinquência juvenil aos chefes de quadrilha. Conhecemos as engrenagens do submundo, pois os atores das sombras são presos por nossas ações. Sabemos sobre homens na mesma medida daqueles coveiros de Hamlet, no Ato V, Cena I (William Shakespeare).

Ali se revela a compreensão real e pura sobre a alma dos homens e o seu fim, sem devaneios românticos das pessoas de gabinete. Finalizo ressaltando que mesmo sendo demonizados por parte da imprensa e por alguns pseudo intelectuais doutrinadores, estamos incessantemente nas ruas de todo o país, configurando a última trincheira de defesa social. Sendo destruída essa trincheira, Roma ruirá perante os bárbaros. Independente de reconhecimento da população ou da mídia, e querendo ou não, todos os homens quando se postam diante do perigo gritam pela polícia. Por este motivo a palavra “polícia” casa bem com “esperança”, pois efetivamente se coloca entre o criminoso e a sociedade. A palavra que os lábios das vítimas balbuciam antes, durante e após o ataque dos homens maus…polícia, polícia!



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Polícia Militar da Bahia
Comando de Operações Policiais Militares
Comando de Policiamento da Região Norte
Sexto Batalhão de Polícia Militar
Seção de Comunicação Social



BONFIM:>Residencial Águas Claras de Bonfim, terá Feira Livre..


O Vereador Rê do Sindicato, juntamente com a Associação dos (as) Moradores (as) do Residencial Águas Claras, Diogo Rios, Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Esporte de Senhor do Bonfim-Bahia
e o Superintendente de Desenvolvimento Econômico, Bó Móveis, onde visitaram na manhã do dia 16 de novembro o espaço onde será realizada a Feira Livre do Residencial Águas Claras.
Para o VEREADOR RÊ DO SINDICATO, com a realização desta feira irá contribuir com o desenvolvimento econômico e social desta localidade, e com certeza do nosso município. E NOSSO MANDATO, estará sempre a serviço, na oportunidade, quero agradecer ao Governo Carlos Brasileiro, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Esporte pela a disponibilidade em analisar junto com a comunidade a área, e, em breve
estaremos divulgando o dia da Inauguração da Feira.” Assim finalizou o parlamenta.

PROERD DO 6º BPM FORMA 162 ALUNOS EM SENHOR DO BONFIM












O Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência - PROERD do 6º Batalhão de Polícia Militar formou mais 162 alunos de escolas particulares de Senhor do Bonfim, na tarde desta terça-feira (14), no Centro Cultural Ceciliano de Carvalho.
Participaram da solenidade o Prefeito Carlos Brasileiro, o Vice Prefeito José Antônio de Oliveira, o Subcomandante do 6º BPM, Major PM Carlos Andrade, entre outras autoridades, diretores das escolas, familiares dos alunos e convidados.
No PROERD são ministradas aulas por policiais preparados para explicar todos os efeitos das drogas e para orientar as crianças a dizerem não quando lhe são oferecidas. A Unidade conta com os instrutores Cabo PM Cristina, Soldado PM Evani e Soldado PM Eduardo, sob a coordenação do Capitão PM Robston.
O Major Andrade falou sobre a importância da prevenção às drogas para a Segurança Pública e reiterou: “o PROERD é como uma vacina contra um mal que adoece nossa sociedade.”
Em um trecho de uma das redações premiadas, a aluna Clara, do Centro Educacional Sagrado Coração, afirmou: “Com o PROERD aprendi a dizer não às drogas, ao bullying e à violência, descobri também que para ser um bom cidadão é necessário relatar as ofensas e mágoas sofridas por todos e ajudar a quem precisa”.

PMBA e a Comunidade na Corrente do Bem!

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Polícia Militar da Bahia
Comando de Operações Policiais Militares
Comando de Policiamento da Região Norte
Sexto Batalhão de Polícia Militar
Seção de Comunicação Social